segunda-feira, 10 de junho de 2013

Zona de exclusão

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Engenheiro é baleado ao errar o caminho e entrar em favela do Rio
9/6/2013 14:05
Por Redação - do Rio de Janeiro 


Uma unidade da PM monta guarda em uma das entradas da favela da Vila do João
É grave o estado de saúde do engenheiro Gil Augusto Barbosa, de 53 anos, baleado na cabeça neste sábado ao errar o caminho e entrar na favela Vila do João, no conjunto de favelas da Maré, em Manguinhos, Zona Norte da cidade. A vítima foi levada para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, subúrbio da cidade, onde foi operada e permanece no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Barbosa estava indo buscar a mulher no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, na Ilha do Governador, e quando estava na Avenida Brasil, principal ligação da região portuária da cidade com as zonas norte e oeste da capital fluminense, ele tentou pegar um retorno ao receber um telefonema da mulher, no qual ela informou que já estava em um táxi e retornando para casa.
Segundo a Polícia Civil, a vítima, ao entrar em uma pista livre com mais de 200 metros e atingir a entrada da favela, com uma velocidade não muito reduzida, tentou retornar e acabou sendo atingido por um tiro na cabeça. A principal hipótese é a de que o engenheiro tenha entrado na favela pensando que tinha acessado o retorno e, ao tentar voltar, foi baleado por pessoas ligadas ao tráfico de drogas.
O catador de latas Josias Tenório da Silva, que passava a pé pela via expressa, foi atingido por uma bala perdida nas nádegas e passa bem. Em depoimento a policiais da 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), Silva contou que viu o Sportage branco do engenheiro entrando na favela e, em seguida, ouviu os disparos. O veículo já foi periciado. Segundo a polícia, o projétil que atingiu Barbosa entrou pelo vidro traseiro esquerdo do carro, que tinha película escura (insulfilm) em todos os vidros.
Formado por 15 favelas cujo controle territorial é dividido por duas facções de tráfico de drogas e por uma milícia, o Complexo da Maré possui cerca de 130 mil moradores e atualmente é uma das regiões mais perigosas do Rio. O conjunto de favelas é cortado pelas três principais vias expressas da cidade: Linhas Amarela e Vermelha, e a Avenida Brasil. A comunidade é rota obrigatória para quem chega ao Rio pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim e precisa se deslocar em direção ao centro, à zona sul ou à Barra da Tijuca, na Zona Oeste. A Maré deve ser a próxima região a ser ocupada pelas forças de segurança para instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
A Vila do João – criada em 1982, durante o governo do então ditador, o general João Figueiredo – conta atualmente com cerca de 15 mil habitantes, sendo mais de 40% crianças e adolescentes. A comunidade ainda não está pacificada pelas forças de segurança do Estado. De acordo a Ação Comunitária do Brasil, seção Rio, a região possui apenas uma escola pública de ensino fundamental, um posto de saúde e uma pequena quadra esportiva. As crianças matriculadas na escola pública pouco frequentam as salas de aula.
Outra vítima
Na madrugada do último dia 19, o assistente de direção da TV Globo Thomaz Cividanes, de 25 anos, dirigia um carro blindado, com placa de São Paulo, quando entrou por engano no Morro do Dezoito, no bairro de Água Santa, Zona Norte do Rio, e também foi atacado a tiros por traficantes. Apesar da blindagem, ele foi ferido na perna por uma bala que conseguiu atravessar a porta.
A vítima tinha inserido no GPS do carro o endereço para onde iria: Rua Jornalista Tim Lopes. No entanto, seguindo as indicações erradas do aparelho, acabou entrando na favela. Mesmo ferido, ele conseguiu dirigir até a Rua Cairuçu, em Vila Valqueire, bairro próximo na zona norte, onde moradores chamaram policiais militares e bombeiros. O rapaz foi levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, Zona Norte. No dia seguinte, a vítima foi transferida para um hospital particular em São Paulo.

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